Há pouco tempo, ainda o velho diospireiro da Eira da Chã se mostrava bem vivo e recheado de frutos cor de laranja e sem quaisquer folhas.
A árvore, em si, não tem qualquer importância, não passando de uma entre outras que já vão proliferando pelas redondezas.
Porém, aí pelos anos cinquenta, há sessenta anos, portanto, foi a primeira vez que vi tal espécie e, não me constava que houvesse alguma outra na área de toda a aldeia.
Com frutos tão coloridos, pendurados nos ramos, completamente despidos de folhas, numa altura do ano – finais de Outono – em que só restos de maçãs, laranjas e tangerinas se viam pela terra, eram motivo de romaria e objecto de admiração.
Durante muitos anos limitei-me a comprar dióspiros; eram um dos frutos preferidos pela Irene – minha mulher – e qualquer boa frutaria da cidade exibia a espécie. Aliás diversas espécies, pois há mais que uma variedades, diferentes na cor e no sabor.
Será por isso interessante saber um pouco mais sobre esta variedade de plantas, originárias da China e de cultura espalhada pelas Zonas Temperadas.
Há três espécies de dióspiros (Lotus, virginiana e kaki). Esta última espécie engloba a maior parte das variedades produtoras de frutos. As outras duas espécies são mais usadas como cavalos de enxertia, ou porta-enxertos.
Presumo que o diospireiro acima referido deve ser uma variedade da espécie kaki, porque tem folhagem caduca e frutos de um laranja escuro no estado de maturidade.
Tem vida longa e resiste a temperaturas baixas, sendo sensível às geadas tardias na Primavera. É pouco amigo de ventos fortes e gosta de muita luminosidade. Dá-se bem em terras abertas e com bom escoamento de águas, terras fundas e bem estrumadas.
Isto é quanto recordo dos cuidados que o Ti’Manel da Chã, que Deus haja, contava que lhe tinha dito o vendedor que lhe vendeu a planta, num mercado do Sardoal.
Soube, depois, que o dióspiro é um fruto rico em taninos; por isso os frutos mal maduros são adstringentes e de sabor amargo.
Há, porém, algumas variedades com teores baixos de taninos, geralmente com cores mais claras e consistência mais mole, designadas por variedades não-adstringentes.
Como a maioria das frutas, o dióspiro é constituído principalmente por água (cerca de 83%).
É relevante a sua riqueza em pro-vitamina A (caroteno), fibras solúveis (pectina) e potássio.
Pertence ao grupo das frutas doces, daquelas que contêm elevado teor de hidratos de carbono de absorção rápida.
São recomendados cuidados devido aos aportes energéticos e alterações de glicemia que pode provocar.
Em contrapartida a fibra solúvel tem efeitos muito benéficos ao nível intestinal; o potássio é importante para o equilíbrio da tensão arterial e do tonus muscular, mas em casos de insuficiência renal não é recomendável.
Devem ser preferidos, ao comprá-los, os frutos (dióspiros) que mantenham o pedúnculo e o cálice.






