quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

amizade…



Os dicionários definem-na como “sentimento de quem é amigo”. 

Dizem, ainda, que se trata de “afeição mútua, dedicação…”. 

…Mas, as conversas entre amigos são contínuas!... 

Não se cingem a simples trocas de palavras; já que ainda que fiquem apartados durante anos, os amigos retomam-nas, sempre no ponto em que ficaram, empenhando, todavia, a experiência entretanto adquirida e vivida. 

Serão intemporais?... 

Os grandes amigos não carecem de comunicação constante e ininterrupta... 

Podem não dizer nada um ao outro, entre os encontros. Porém, quando se tornam a ver, a sensação é a de que se tinham visto no dia anterior. 

Esse dia podia ter sido ontem, há um ano, ou quarenta anos atrás. 

O tempo que medeia entre os encontros é trocado por um abraço, um aperto das mãos, ou mesmo um simples olhar. 

As bibliotecas, cheias de livros, relatam histórias que podem ser utilizadas como ilustradoras de amizades indescritíveis. 

Desde a mais remota antiguidade os grandes autores e pensadores deram lugar de destaque aos sentimentos de amizade, muitas vezes conotando-a com o amor. 

Porém, sem fugirmos ao tema, vamos deixar isso à filosofia e aos filósofos e atentaremos, antes, no mais primário e simples sentimento da amizade. 

Desde um instinto de sobrevivência da espécie, com necessidade e cumplicidade na protecção por, e de outros seres semelhantes ou não, distinguem-se diferentes e diversas origens e variados níveis, para o sentimento da amizade. 

Entram aqui as motivações primárias e, perdoe-se-nos a redundância, a pureza de sentimentos, tão mais perto da pureza quanto a simplicidade dos seus sujeitos. 

Disse Aristóteles que a amizade é uma alma com dois corpos. 

Difícil não é o significado da definição: dois corpos, ainda que um cão e um gato, vêem-se facilmente; já a alma, que, supostamente, lhes está subjacente, não é tão evidente. 

Dizer-se que a ONU decretou o dia 20 de JUL como Dia Mundial da Amizade, que o cão é o melhor amigo do homem, que os três mosqueteiros são o símbolo da amizade, ou despedir-nos “com amizade” no final de uma carta, são conceitos tão distantes e díspares, que em nada nos poderão elucidar sobre a amizade. 

Já a compreensão de uma palavra, ou acto, menos reflectidos, a mão nas costas num momento difícil, ou a ajuda anónima, podem estar muito acima daqueles conceitos universais. 

Um pai, uma mãe, que vêem partir um filho para a guerra, quando o olham e apertam pela última vez, sem dizerem uma palavra, manifestam a maior prova de amizade; será ela que ficará a sublimar o amor de pais. 

É que o amor e a paixão são mais exigentes, mais arrebatadores, mais visíveis; não mais verdadeiros, seguramente. 

Foi por algumas destas razões que intitulei…laços…o sentimento com que tentei definir a ligação de um grupo de camaradas que, há 40 anos, combateram na Guiné e, sempre que se reencontram vão continuando a conversa...como se nunca se separassem…

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O“anónimo”

Quanto mais consultas faço, mais se afasta a hipótese de qualquer justificação para defender e, muito menos aceitar, a figura – já que outra coisa não me parece – de “anónimo” (para mim, escuro, sombrio, maldoso...). 

Nas Sociedades ancestrais, por razões compreensíveis, foi muito usada a figura “anónimo”. 

Porém, com a evolução do Pensamento e o progresso dos direitos literários e de autor, o anonimato, se não for pedido por razões aristocráticas, pela sátira anónima que se quer pôr a salvo, ou por diversas resistências literárias, é cada vez mais raro e injustificado. 

Desde o séc.XVII e, acentuadamente no séc.XVIII, houve muita curiosidade de descobrir os autores de obras anónimas. 

Foi, porém, no séc.XIX que se publicaram variadíssimas colectâneas, de muito útil e vasta consulta. 

Entre as portuguesas, salientamos a de Martinho A. Fonseca – Subsídios para um Dicionário de Pseudónimos, Iniciais e Obras Anónimas, de Escritores Portugueses – Lx. 1896. 

Também o Hagiológio – Relação anónima, de Jorge Cardoso, impressa em Lisboa, foi um sucesso. 

Anónimo, do grego anónimos – usados caracteres latinos para representar os sons da palavra grega -, significa: “sem nome”, “que não recebeu nome”, “que não se deve nomear”, “que não se dá a conhecer”, “desconhecido” (segundo o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, do Dr. José Pedro Machado – Editorial Confluência, 1ª edição publicada em fascículos – iniciada em NOV1952). 

Já o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea – Academia das Ciências de Lisboa – Edição Verbo, em 2001, dá a seguinte entrada: “sem nome”, “que oculta a sua identidade”, “de quem não se sabe o nome”, “que não é notável”, etc. 

Filosoficamente, chegaremos facilmente a um não ser, não concreto, não visível e, portanto a uma coisa inexistente, concretamente. 

Por oposição o ser , que tem um nome, existe, dá-se a conhecer, exibe o seu nome, para o bem e para o mal quer ser reconhecido, identificado. Não esconde a identidade, embora possa fazer reserva do seu nome. 

O nome é um direito natural, que ninguém aceitaria substituído, por exemplo, por um número. Não compreendemos, pois, que alguém aceite ser referido como anónimo. 

Pensamos mesmo que o conceito de anónimo não merece sequer consideração, pois quem não quer, ou não pode, ser nomeado, deverá fazê-lo usando a expressão incógnito

Essa sim com o significado de identificado, mas com reserva de publicação do nome, por razões pessoais, legais e de defesa de interesses vitais. 

Também o uso de pseudónimo é aceitável, pois subentende uma reserva de nome, longe e contrária, portanto do anónimo e sem o sentido pejorativo atribuído a este. 

Todavia, podemos aceitar, por razões de força e ênfase: “manifestações e contribuições anónimas”.


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Saber e Conhecer


 Se saber significa, entre outras coisas, ter conhecimento, não deveríamos começar este ensaio parafraseando o prémio Nobel sul-americano, que afirmou: 

Hoje temos mais conhecimento e menos saber

Mas, porque estou de acordo com a afirmação e ela não se me afigura paradoxal, vou tentar interpretá-la, enquadrando-a no que o dia-a-dia por aí nos mostra. 

Recuando no tempo – e uso esse privilégio por cinco ou seis décadas -, aprendi nos livros de Psicologia, também nos de Pedagogia e quiçá nos de Didáctica, que os conceitos de saber e conhecer não são uma e a mesma coisa e, no limite, podem até ser incompatíveis; se não, antagónicos. 

Já na Filosofia o mestre mandou-me abordar o tema pela Retórica. 

Começando pelos pensadores de antanho, vemos que, para Platão o conhecimento é a crença verdadeira e justificada. 

Leonardo da Vinci dizia que todo o conhecimento se inicia com sentimento. 

Anos mais tarde, Francis Bacon afirmou que o conhecimento é poder. 

Actualmente insiste-se na especialização: conhecer cada vez mais, de cada vez menos. 

Nestas teorias, o conhecimento, tal como o saber, implicam limitação; isso, porém, contraria a essência do conhecimento. 

Essa é, a nosso ver, a característica pobre da especialização hodierna, que cria “super-células”, vogando no plasma, sem ligação e articulação: qualquer coisa como robots sem coordenação e comando lógico e racional. 

Todos os dias nos deparamos com leis, decisões, análises, previsões e enunciados teóricos, sem a mínima ligação entre si, sem aplicação viável e na maior parte dos casos com resultados perniciosos e contrários ao fim em vista. 

Orçamentos não consentâneos com a realidade do dia-a-dia, contratos que não resistiriam a uma primeira análise se tivessem sido minimamente aferidos antes de celebrados. 

Tudo isso é fruto de gente cada vez mais conhecedora, com mais meios de diagnóstico e análise; mas que sabem cada vez menos. 

Pelos anos setenta, quando o Marketing, se difundiu em Portugal e se começou a programar, a debater campanhas e a estabelecer objectivos, os empíricos resistiram enquanto puderam e acabaram por contratar, para as suas empresas, equipas de marketing, a utilizar estudos de mercado, a estudar tendências e oportunidades de negócios. 

Um facto curioso, que recordo ao pensar no que por aí vejo: durante alguns anos nenhum director ou quadro intermédio das multinacionais era nomeado se tivesse mais de 40 anos; mais tarde, com menos dessa idade ninguém ascendia aos lugares de direcção. 

Hoje parece que voltámos aos tempos antigos, esquecendo-nos que, embora parecendo mais simples, a gestão é muito mais complicada, quer se trate de sistemas privados, quer se entre no sector público, onde a complexidade implica alta capacidade de gestão e decisão. 

E, como a História não volta para trás, a falta de capacidade, já visível a olho nu, é gritante no sector da Administração Pública e na condução da Política de que todos dependemos. 

Porque não se cria no ensino uma preparação de quadros para a administração e governo?

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Elegia nobre - monólogo

                        Meu pai, regando na horta
O milho, aqui da Renda, este ano, deitou mais palha que espiga; mas está uma horta de se lhe tirar o chapéu. 

Água, graças a Deus, não tem faltado, a terra foi bem estrumada e ainda levou um cheirito de adubo. 

Até o tempo tem ido de feição – bastante calor e manhãs cheias de maresia, até horas do almoço. 

A passarada veio bastante mais cedo e, que me alembre, nunca vi tantos taralhões a chegar, como neste Agosto. 

Os pincheiros, que nalgumas terras aqui perto se chamam branquinhos, vêm lá de umas terras que o Zé me disse que ficam ao pé da Ásia, ou lá que diabo é isso. 

Algures para os lados do Irão, onde já andou a trabalhar um dos moços do Manel da Chã. 

Trazem uma anilha branca, de lata, na pata, com um número muito grande e letras. 

Mais uns dias e desbandeiramos o milho, para ver se fugimos às chuvas que quando apanham os pastos a secar lhes tiram uma parte do chorume e até criam mofo quando se têm de arrecadar húmidos. 

Depois a besta pega-lhes mal. 

Até as abóboras, que acostumamos semear no meio do milho, deitaram duas ou três por cada pé e grandes como não me alembro de ter visto por estas bandas. 

Só o feijão catarino, que também metemos no meio do milho, não deu nada que se veja. 

Pouco vingou e os que se escarpentaram ficaram definhados e ao limpar da flor perderam-se. 

A pouca palha que deitaram, não tem mais que vagens vazias, ou com os bagos mirrado.


Às vezes, durante as regas, meu pai entrava em monólogos; quer falando sozinho, quer continuando depois de se ter ido embora algum possível interlocutor que, ocasionalmente, por ali passasse.

Era também vulgar falar com plantas ou animais, com a água que corria nos regos e nas belgas, com os bichitos que se iam levantando e correndo na frente da água. 


Era, verdadeiramente enternecedor, ver e ouvir estes autores e actores, esta gente simples e verdadeira, actuando no grande cenário da Natureza, a que pertenciam e com que se confundiam. 

Tal como os passarinhos que não param de cantar se ninguém estiver a ouvi-los.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

História;Romance



Carlos Ruiz Zafón, escreveu o seguinte: “Há alturas e locais em que não ser ninguém é mais honroso do que ser alguém”, para caracterizar cenários actuais.

Não podendo esquivar-me ao choque que estas palavras me causaram, reflecti: Ao que nós chegámos! 

E olhando para a minha neta, como faço muitas vezes, em circunstâncias semelhantes, interroguei-me: daqui a uma ou duas dúzias de anos, como será isto tudo? Que valores servirão de matriz ao comportamento da colectividade humana? Que regime político vigorará?

E acabei pondo-me, como ponto de ordem, as palavas do meu avô, ditas há perto de sessenta anos: adeus mundo; cada vez melhor!... 

Embora, até agora, mais de meio século decorrido, haja uma parte, incomensuravelmente melhor, e outra ainda se não tenha revelado, não quero perder a esperança.

Todavia, quem havia de dizer, quando cresci, entre gente simples e honrada, respeitadora de diversos estatutos: o da idade, o da educação, o da honradez, o da luta pela vida, o do respeito pela velhice, pela deficiência de qualquer espécie, que não ser ninguém poderia vir a ser mais honroso que ser alguém!...

Quem havia de dizer que haveria cursos sem qualquer utilidade, diplomas sem exames sérios, honestos e universais, comprados por favores, por numerário ou por nome de família ou filiação em qualquer coisa, indefinida e obscura?

Quem havia de dizer, quando brincávamos com as anedotas do Q.I. que haveríamos de ver realidades tão absurdas como as que hoje, proliferam?

Continuo a ter muita honra em todos os que comigo colaboraram, durante quase cinquenta anos de trabalho; tenho orgulho em todos os que ajudei a subir nas carreiras profissionais, nos que subiram muito mais alto do que eu, nos que desenvolveram actividades muito mais conseguidas do que eu. 

É para eles que escrevo. São largas dezenas de amigos que ajudei a crescer e sem nunca mandar inscrever ninguém fosse no que fosse, para além das Faculdades para fazer exames reais e alcançar cursos úteis e acrescentadores de valor curricular.

Como seria bom se pudéssemos transformar e dar vida às personagens que manejamos no que escrevemos; voltar a ter, no comum dos mortais, os grandes génios que já cá não estão. 

Ou seja, dar ao Historiador e ao Homem Simples a possibilidade de que dispõe o Romancista. 

Teríamos menos inquietações!...

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Será possível?



                                                                                               Eça de Queiroz
Transcrevemos, fiel e integralmente, o texto seguinte, pois embora sem qualquer enquadramento de contexto, constitui uma peça literária digna do seu autor, ajustada aos ventos da História, apesar do século e meio de atraso, e embora escrita num regime monárquico, não ofende, nem deslustra os grandes princípios republicanos. 
 
“ORDINARIAMENTE todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?” 

(Eça de Queiroz, 1867, no “O distrito de Évora”) 

Vai ser possível, sim senhor. Não conservar a sua independência – não se conserva aquilo que se não tem com plenitude e dignidade -, mas vai ser possível restaurar e, depois, conservar a independência do nosso País. 

Desde que o senhor escreveu essas palavras, muitas peripécias pesaram sobre a vida política deste nosso País. 



Desde crises de regime, a guerras e sobressaltos económicos, tudo o que de mau previu e não quis dizer, expressamente, nas suas linhas, nos tem sucedido. 

Incomensuravelmente mais mau do que bom, a ponto de continuarmos na cauda desta Europa, que também não tem feito muito mais do que nós. 

Em ambos os cenários, no mais restrito do nosso País e no mais amplo da Europa, já se abriram janelas de esperança, já se acenderam luzes que brilharam enquanto os substratos perniciosos, que nunca foram bem enterrados, vieram ao de cima. 

E, como que por fatalidade, temos de reconhecer que qualquer jornal actual que publicasse o que o senhor escreveu, no periódico de sua direcção, não estaria a ser desonesto com os seus leitores. 

Mas descanse em paz, sr. Eça. 

O tempo para si já não conta, tenha esperança, como nós.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Licor de Singeverga


Há, na tradição portuguesa, uma grande variedade de licores; porém, o único que, em Portugal, é verdadeira e exclusivamente monástico é o Licor de Singeverga

É produzido pelos monges beneditinos, através da destilação de uma panóplia de mais de cento e cinquenta ervas aromáticas e medicinais. 

Não sofre a interferência de quaisquer entidades exteriores ao Mosteiro, pois todos os processos, desde a recolha das plantas, à rotulagem, estão rigorosamente descritos no livro de preceitos, em uso na Instituição e criteriosamente guardado em lugar restrito e seguro. 

A produção é limitada, dada a manutenção dos processos artesanais; pelo que é bastante limitada a quantidade de lojas que oferecem esta preciosidade ao público, em geral. 

A inexistência de publicidade e marketing é, também, uma limitação das vendas. 

O Licor de Singeverga é comercializado em garrafas (ver ilustração) com 3 tamanhos diferentes – o corpo da garrafa tem, em alto-relevo: LICOR DE SINGEVERGA. 

O vidro tradicional é castanho-escuro, embora recentemente tenha aparecido branco. 

A rolha, garantida por selo de chumbo, com o escudo dos beneditinos, e os cordões sujeitos por um rótulo de gargalo. 

A venda do Licor é uma das maiores receitas do Mosteiro e da Ordem. 

O Licor de Singeverga tem cor âmbar dourada, ao nariz denota ervas intensas e especiarias, na boca tem um corpo inteiro, paladar forte e delicado a doce de ervas e especiarias. 

Funciona como um digestivo perfeito. 

Tem 30º de volume alcoólico e pode ser bebido, ligeiramente frio. 

Segundo o irmão José, que actualmente tem a seu cargo as principais e decisivas fases da produção do Licor de Singeverga, nada mais há que ervas balsâmicas e terapêuticas, num licor inteiramente artesanal, que segue uma formulação muito antiga, fruto de prolongadas e pacientes experiências. 

Daqui para a frente não vale a pena pensar em mais nada: é beber com moderação, pois trata-se de uma bebida espirituosa. 

Mas, há muitos que dizem tratar-se de um medicamento e, assim, parece que o melhor é juntar as duas coisas num único golo. 

E que faça bom proveito a todos os que tiverem a felicidade de bebê-lo. 

PS. Na casa de família de minha mulher, na Beira Alta, sempre vi uma garrafa de Licor de Singeverga e quando se queria obsequiar ,com maior distinção, servia-se um cálice, no final da refeição. 

Na reserva da garrafeira sempre vi várias garrafas, algumas das quais estão na minha posse há várias dezenas de anos. 

Explicava o “padrinho”, Monsenhor e entendido em costumes e tradições, como se recebia no Mosteiro de Singeverga e como era feito aquele maravilhoso Licor. 

E acrescentava que graças a amigos nos Beneditinos, recebia regularmente obséquios com aquela preciosidade.