quarta-feira, 30 de abril de 2014

Temas de poesia


O Amor representa quase 30% dos temas de poesia de uma amostra realizada em 1500 poemas, dos mais representativos de outros tantos poetas da Literatura do Mundo Ocidental. 

Se lhe juntarmos os de Amizade (2,2%) e Amante (3,8%), chegamos aos 36%, continuando o Amor, destacado entre os temas de Poesia, seguido, de longe, por Vida, Natureza e Morte, com 6% cada um, pesando, os três, metade do tema Amor. 

De salientar que entre 116 temas são menos de duas dezenas (17) os que têm significado estatístico e os temas menos glosados (167) são, apenas 11% do total analisado.

Temas de Poesia

Tema
Publicações
%
1
Amor
437
29,1%
2
Vida
93
6,2%
3
Natureza
93
6,2%
4
Morte
93
6,2%
5
Poetas
91
6,1%
6
Mulher
67
4,5%
7
Amante
57
3,8%
8
Sonhos
56
3,7%
9
Alma
53
3,5%
10
Deus
52
3,5%
11
Noite
47
3,1%
12
Mundo
37
2,5%
13
Amizade
33
2,2%
14
Viver
33
2,2%
15
Destino
31
2,1%
16
Pensamento
31
2,1%
17
Tempo
29
1,9%
18
Diversos
167
11,1%


1500
100,0%

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Quatro ascetas do séc. XVI


Sabe-me bem passar uns minutos diante das estantes, espalhando os olhos pelas lombadas dos meus livros. 

Acabo, sempre, por descobrir algo de novo, o que me surpreende, quando se trata de novidades sobre obras que, nalguns casos, me acompanham há mais de cinquenta anos e têm sinais de basta manipulação.

Hoje chamou-me a atenção um pequeno opúsculo, de 1950, editado pela Livraria Simões Lopes, do Porto, em que a autora, Maria do Céu Novais Faria, junta textos escolhidos de Quatro Prosadores Ascetas do séc. XVI – o tempo da questão dos Judeus em Portugal, da Inquisição, de Alcácer Quibir, da perda da independência de Portugal e da publicação dos Lusíadas.

A escolha de textos dos quatro mais consagrados prosadores ascetas deste período, para compor uma pequena antologia, não é tarefa fácil, mas foi bem conseguida pela autora. 

Começando por Frei Heitor Pinto (n. 1528), teólogo e Prof. da Universidade de Coimbra, cuja obra principal – Imagem da Vida Cristã –, é notável pela escolha dos temas e a construção dos diálogos, de grande valia literária, como provam as diversas edições em latim, castelhano, francês e italiano.

Frei Amador Arrais, nascido em Faro, ou Beja, entrou para a Ordem dos Carmelitas Descalços (1545), foi Doutor, em Teologia, por Coimbra, coadjutor do Cardeal D. Henrique, Arcebispo de Évora, Bispo de Trípolis e, nomeado por Filipe, de Espanha, Bispo de Portalegre. 

Tal como Frei Heitor Pinto, este asceta escreveu diálogos, de que destacamos a obra “Da Glória e Triunfo dos Lusitanos”, em que faz um breve resumo da História de Portugal, desde a Fundação da Nacionalidade.

Samuel Usque, judeu português, de que a principal obra “Consolação às tribulações de Israel”, publicada em Ferrara (Itália), em 1553, encantadoramente dividida em três diálogos, visando “consolar os Judeus das tribulações da época e inspirar-lhes confiança nas promessas do Senhor”. Ressalta da obra o amor, sentimento e visão poética da natureza e os três maravilhosos quadros da vida pastoril.

Frei Tomé de Jesus, é, dos quatro ascetas, o mais nobre, de nascimento, cuja família, abastada e intelectualmente distinta, o viu professar, no convento da Graça e partir para África, escolhido por D. Sebastião, para a expedição a Alcácer Quibir. 

Aprisionado e atormentado, viria a morrer, nas masmorras, em 1582, onde escreveu, às escondidas, “Os Trabalhos de Jesus”, cujo prefácio “Carta à Nação Portuguesa” é um verdadeiro hino às virtudes heróicas dos santos. 

Termina assim a carta: Deste cativeiro de Marrocos, e do indigno companheiro dos cativos atribulados pelo nome do atribulado Jesu, o vosso português frade indigno dos Eremitas de Santo Agostinho. A 8 de Novembro de 1581. Frei Tomé de Jesu.


Leia estes Mestres, que nunca foram prémios Nobel, embora fossem exímios a escrever. 

Não lhes faltou nobreza nem sabedoria; porém morreram humildes e dignos dos que sempre respeitaram.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Comentário literário

Recebi, de um amável leitor das “Histórias de gente simples” e das “Folhas soltas” um comentário que transcrevo, com o devido respeito:

 “Lisboa,6 de Dezembro de 2012

Meu caro Professor José Valente

Regressei a Lisboa depois de três meses de permanência em Monte Gordo.

E apresso-me a agradecer o livro “Histórias de Gente Simples” que teve a amabilidade de me oferecer.

A leitura anteriormente feita da publicação “Folhas Soltas”, e a já iniciada com o livro recente, revela o seu significativo culto pela arte literária que toma como meio, para a expressão do belo, a palavra oral ou escrita.

O escritor José Valente domina bem o conjunto de normas e preceitos que ensinam a bem falar e escrever. E as faculdades estéticas que são pedidas ao escritor: inteligência, imaginação e sensibilidade estão bem expressas nos seus escritos.

A inteligência manifesta-se na produção das ideias e dos juízos, com vida, brilho, originalidade e graça.

O escritor José Valente apresenta os temas sociais de forma animada e elegante que seduz o leitor. A sua escrita é educável, porque apurada no convívio frequente com a análise dos modelos de comportamento do ser humano.

O escritor sabe promover o gosto pela leitura e incentivar o culto pela Língua.

A mocidade estudiosa de Portugal muito ganharia em ter acesso à leitura da sua produção literária.

Deixo o meu abraço de apreço e aplauso.


As minhas saudações a sua mulher.
Com a admiração e a estima do

                               Murta Rebelo”

domingo, 30 de março de 2014

MAÇÃO - Bilhete de Identidade


Quem desce o vale do Tejo, no comboio da Beira Baixa, ou pela auto-estrada que corta o nosso concelho, não nota que atravessa uma parte do Alentejo. 

A estrema natural do concelho, desde Barca da Amieira a sudoeste de Ortiga, seria o Tejo, se o concelho de Gavião não atravessasse o rio e viesse anexar as terras de Belver, enquadrando-as no Alto Alentejo.

Já pelo norte, oeste e sul, as delimitações dos concelhos de Proença-a-Nova, Vila de Rei, Sardoal e Abrantes são feitas, naturalmente, pelas linhas de água. 

Fisicamente é este rincão de 403 km2, com oito milhares e meio de almas, em 2001, que constitui o concelho de Mação – um, entre as mais de três centenas de Portugal, situado bem no seu centro geográfico. 

Reza a Geografia que o concelho de Mação faz parte do Distrito de Santarém e daí, quando a designação era usada, devia enquadrar-se no Ribatejo. 

Porém, pelas suas características, o concelho fazia parte da Beira Baixa, embora os usos se aproximassem do Alentejo, onde os “ratinhos” passavam grande parte do ano, em trabalhos agrícolas.

A diocese é Portalegre e Castelo Branco. 

O enquadramento no Ministério da Educação é, actualmente, a DREC de Coimbra. 

Já na hidráulica é a circunscrição de Santarém. 

Até há poucos anos a rede telefónica era a de Torres Novas. 

Presentemente o concelho enquadra-se na Região Centro e nalguns casos na Lezíria e Vale do Tejo e ali começa a Zona do Pinhal Interior Sul. 

Mas há ainda os aspectos judiciais, militares, e outros, directamente dependentes de Lisboa.

Para um adulto, com alguma cultura, este emaranhado de divisões, classificações, e dependências é, no mínimo, complexo. 

Para uma criança ou um adolescente, não será menos. 

Não sabemos o que se ensina na escola, mas ficamos curiosos e esperamos que nos elucidem.

Uma coisa é certa, quando por cá andamos e nos perguntam qual é a nossa terra, não enjeitamos as origens e dizemo-nos maçaenses ou, se assim quiserem, maçanicos.

O “Voz da Minha Terra” traz-nos, regularmente, as tão esperadas notícias, mais alegres ou mais tristes, segundo o ponto de vista de cada um. 

Ultimamente, porém, vem-se agravando e subindo de tom o “dize-tu-direi-eu” dos “políticos locais” que pouco refere de construtivo e pode ser muito pernicioso, provocando menos interesse pelo regresso às origens daqueles que ainda sonham!...

NOTA: Este texto foi escrito há 10 anos. Publicamo-lo, com esta ressalva, porque não nos parece desactualizado, salvo, é claro, no número de habitantes que é menor e tende a diminuir. 

quarta-feira, 19 de março de 2014

O método


Quando uma história começa a bailar no pensamento, acaba por perturbar o desenvolvimento normal de qualquer escrita com cabeça, tronco e membros. Assim como o gato e o rato, aparece, desaparece, volta a aparecer, no meio da sequência do que estamos a escrever.

Nestes casos o melhor é fazer um parêntese, escrevendo o que anda a querer saltar, para que acabe por sossegar e ficar, em suspenso, até que, um dia, ou nunca, se pegue nisso e se avance com a ideia.

Como se as personagens estivessem sossegadas e, uma vez desassossegadas, tenham necessidade de ser acalmadas. Ou como uma criança que chora sem causa física aparente e está, tão só, a pedir a nossa atenção, ou a solicitar o nosso carinho. Uma vez atendida deixa de haver causa para o choro e vem o sossego.

Porém, não se julgue que este sentimento de frustração é raro e só ataca os mais carenciados, ou com espíritos mais sensíveis. A ausência, ou demora da satisfação de uma coisa, material ou sentimental, tem, sobre o ego e o sistema de auto-estima, um efeito potenciado que, enquanto não satisfeito, funciona como força de bloqueio e se manifesta das mais variadas formas, mais ou menos obsessivas.

Comprar um jornal é um acto reflexo, ou, se quisermos, um hábito. 

Enquanto o não temos, sentimo-nos incomodados com a carência dele e somos alertados por um alarme que, de tempos a tempos, e a intervalos cada vez mais curtos, nos lembra essa falta. 

Porém, depois de comprá-lo, quase não olhamos para ele, ou nem o chegamos a ler. 

As novidades da moda, os saldos ou, por exemplo uma viagem, são estímulos idênticos, que provocam reacções similares.

É certo que ao contrário dos discos rígidos dos computadores, que armazenam tudo o que lhes enviamos, o nosso cérebro tem poder selectivo e acaba por não estourar, ou crachar, por excesso de dados. 

É um prodígio da Natureza, mas um pouco de método não fará mal e podemos enviar mensagens classificativas e definidoras da prioridade, ou do que é secundário e supérfluo.

Todavia, se pensamos que isso é simples e linear, estamos enganados. 

Teoricamente será tão difícil lembrar como esquecer, embora a maior parte da nossa intervenção consciente seja no sentido de retermos o que admitimos e consideramos interessante, quer lendo mais que uma vez o que queremos fixar, quer usando formas de desenvolvimento da memória e pouco ou nada fazermos para treinar o esquecimento.

Somos, isso sim, máquinas muito perfeitas e com uma grande capacidade. 

Então o que será um esgotamento? Qual será, então, o papel do método? E o que é, de facto, o método?

PS – Esta “Folha solta” ultrapassa, um pouco, a simplicidade que me imponho quando escrevo estes pequenos ensaios. Que me desculpem os leitores.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Platina

         
                                                                                                 pepitas de platina

Existem objectos de platina desde a antiguidade, mas a primeira referência ao metal surge nos escritos de Júlio Caesar Scaliger, em 1557, ao descrever uma substância das minas da Colômbia: 

“Até agora não foi possível fundi-la pelo fogo, ou por qualquer das artes espanholas”.

Dois séculos depois, aparecem novas referências a um metal que surge misturado com o ouro, nas minas da Colômbia, e são enviadas para a Europa as primeiras amostras do metal. 

A primeira platina pura foi obtida em Inglaterra em 1803, por W. H. Wollaston.

O nome platina é um diminutivo, depreciativo, de plata (prata, em castelhano), dada a semelhança que à primeira vista existe entre os dois metais e era usado para definir a impureza indesejável que acompanhava o ouro extraído das minas.

O metal puro é branco, brilhante, dúctil e macio e tem a densidade de 21,45 g/cc (três vezes mais pesado que o ferro) e o ponto de fusão, muito alto, dá-se aos 1.769,3ºC.

Associam-se a este metal precioso (um dos mais raros do mundo), níquel, cobre, ouro, prata, e, sobretudo, irídio e utiliza-se no fabrico de materiais de laboratório, acessórios de aparelhagem eléctrica e, em pó - catalisador em várias reacções na química orgânica.

Aplica-se em joalharia, odontologia e próteses e o metro-padrão e o quilograma-padrão, internacionais, bem como as respectivas cópias, são fabricadas com platina iridiada (liga com 90% de platina e 10% de irídio).

Dos seis elementos que compõem o grupo dos metais de platina a ourivesaria e joalharia usam a platina, o paládio e o ródio. 

A platina começou a ser usada nos princípios do séc. XX, os restantes só começaram a aplicar-se nos anos trinta. Até aí as jóias eram de ouro, ou prata.

Em Portugal a platina usada em joalharia não pode ter percentagem de liga superior a 500 milésimas (lei de 1926 e alteração dos anos 30). A este toque corresponde um punção de garantia da contrastaria com uma cabeça de papagaio e a letra P (símbolo usado desde 1926).

O paládio é semelhante à platina na cor e propriedades, mas mais leve. Usa-se como liga, para juntar ao ouro, de que resulta o ouro branco. 

O ródio é mais duro e resistente ao uso e corrosão. É usado num banho electrolítico para melhorar o acabamento das jóias de ouro branco, prata ou platina, cobrindo-as com uma camada mais branca, resistente e brilhante.

Nos últimos anos fazem-se jóias com praticamente qualquer material, como titânio e nióbio, além de resinas e outros polímeros. 

Por sua vez a indústria automóvel é um dos grandes consumidores de platina, usando-a nos mecanismos de catalisação.

sábado, 1 de março de 2014

As formigas



                              
As 17 espécies de formigas existentes em Portugal, são uma pequeníssima amostra das quase 12.500 espécies existentes por todo o nosso planeta, excepto nas regiões polares. 

Junto com algumas vespas e abelhas, as formigas, como insectos eusociais, pertencem à Ordem Hymenoptera

Aos biólogos que se ocupam do estudo das formigas dá-se o nome de mirmecologistas.

Segundo Ted Schultz, na sua obra “In search of ant ancestors”, as formigas são o género animal com maior sucesso na terra, pois constituem 15 a 20% da bio massa terrestre; existem há mais de 100 milhões de anos, crendo-se que surgiram no Período Cretáceo, derivando de vespas do Período Jurássico.

De ovos a adultas demoram 6 a 10 semanas. As operárias vivem desde poucos meses até 3 anos. As rainhas têm maior longevidade, tendo, como máxima idade, 30 anos. 

A rainha produz uma feromona que indica às obreiras quando devem criar outras rainhas.

Desde sempre as formigas foram consideradas úteis ao ecossistema e estão entre os animais que mais trabalham; são capazes de transportar várias vezes o seu peso. 

A organização social das formigas é extremamente funcional: as sociedades são organizadas por castas a que correspondem tarefas perfeitamente definidas, atribuídas de acordo com o tamanho ou a idade de cada indivíduo.

Vivem, na maior parte dos casos em formigueiros, que chegam a ter muitos milhares de formigas e são formados por complexos sistemas de túneis e câmaras subterrâneas. 

Nas câmaras são alojadas as obreiras, armazenados os alimentos, alojada a rainha, havendo ainda espaços próprios para “berçário” e tratamento e cuidados com as larvas.

A rainha vive dentro do formigueiro, é maior que as restantes formigas e perde as asas depois de fecundada – põe ovos durante toda a sua vida –. 

Os machos aparecem apenas para fecundar uma nova rainha e depois da fecundação são impedidos de entrar no formigueiro e morrem. 

As funções de procura e transporte de alimentos, construção e manutenção do formigueiro, defesa e ataque, limpeza, guarda da entrada e tratamento e cuidados com ovos, larvas, pupas e crias, são atribuídas às fêmeas estéreis – as obreiras.

A comunicação é a maior maravilha das formigas. 

Deixam uma trilha de feromónio que pode ser seguida por outras formigas. 

Nessas feromonas ficam os sinais de abundância de comida, esgotamento, caminho para a colónia, obstáculos, perigos e predadores, caminhos alternativos. 

Como as trilhas mais bem sucedidas são seguidas por mais formigas, a quantidade de feromonas é maior e interpretado como mais vantajoso. 

Uma formiga esmagada emitirá um alarme de feromónio que dada a sua alta concentração leva as formigas mais próximas a disporem-se em ataque. 

As antenas sentem o cheiro e dão sinais ao cruzarem-se duas formigas. 

As formigas atacadas injectam ácido fórmico nos atacantes.