segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Greve geral


Hoje, dia de GREVE GERAL DE PROFESSORES, um dirigente sindical "garante":

1 - Mais de 90% dos Professores fizeram greve;

2 - Mais de 20.000 Alunos foram impedidos de realizar o exame nacional de Português;

3 - Muitos dos exames só se realizaram com "ilegalidades e arbitrariedades".

Infere-se, das "garantias" acima referidas, que 90% de Professores só conseguiram impedir pouco mais de 20.000 Alunos de realizarem os exames (cerca de 24%).

Regista-se, ainda, a acusação da prática de "ilegalidades e arbitrariedades" por parte de um número considerável de Professores ( os que não fizeram greve).

Estas duas conclusões levam-nos a algumas reflexões:

1 - Se o objectivo da greve era o impedimento da realização dos exames, os resultados terão sido muito fracos (76% dos Alunos terão feito exame);

2 - Se estava em causa a defesa do "Ensino Público", também o objectivo não foi, minimamente, alcançado. Os alunos do "Ensino não Público" terão, todos, feito o seu exame.

3 - O sindicalista falou em nome de todos os sindicatos que convocaram a greve. Poder-se-á saber quantos Professores estão sindicalizados e que percentagem representam, no universo da classe?

4 - Quanto às acusações feitas aos colegas que participaram na realização de exames, o que pensa fazer o sindicalista?

5 - Afirmou, o sindicalista, que "o Ministério da Educação fica politicamente fragilizado". Será que fica, ou será que recebeu, um dos maiores apoios que se têm visto dar ao Governo nos últimos tempos?

6 - Será que um Ministério da Educação politicamente fragilizado, trará vantagens ao País, aos Alunos ou aos Professores?

Compete aos Senhores Professores meditarem bem nos objectivos que defendem e por que lutam. 

Depois definirem escrupulosamente os alvos a abater, não excluindo a substituição dos seus dirigentes de classe se se considerarem mal representados.

Publicado no Facebook – 17JUN2013

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Rio Noéme



Ladeando a cidade da Guarda pelo sul, vem lá da Serra da Estrela, onde nasce, com caudal frágil e diminuto, a mil metros de altitude.

Ao contrário dos irmãos mais fortes e alentados – Mondego e Zêzere – toma o rumo de Leste e, após poucos quilómetros na zona serrana, percorre, lenta e calmamente, já na companhia do Rio Diz, o Planalto Beirão, para, após os últimos 30 Kms, junto da aldeia do Jardo, se misturar com o Rio Côa e seguirem para Norte, até ao Douro.

Os 400 metros de declive entre a nascente e a foz do Noéme que, embora sem grande pressa não se esquece da sua condição de rio de montanha, são percorridos em terrenos pedregosos, desfrutando um vale ancho, ladeado por barrocos graníticos e espraiando-se, a espaços, em verdadeiras praias cercadas de lameiros e veigas férteis, emolduradas por freixos e salgueiros.

Entre as aldeias que ao longo do Noéme se foram desenvolvendo falamos, hoje, do Rochoso.

A meio caminho entre Vale de Estrela e Jardo, a “ribeira do Rochoso” foi paraíso de muitas gerações e gáudio de muitos jovens que ali se banharam, por lá confraternizaram repartindo as merendas, ou meditaram e se inspiraram, lendo e escrevendo nos períodos de ócio, ou férias.

As palavras e expressões como doçura, suavidade, graça, alegria…vêm do antigo hebraico – no’ami -, de onde, segundo os etimologistas, provém Noemi, ainda em uso pelos menos novos, que viria a dar origem ao nome actual: Noéme.

Compreende-se, pois, todo o bucolismo, saudade e bairrismo de quem nasceu naquelas terras, ou a elas se sente ligado.

É que a maior parte daquelas aldeias, perdidas por montes e vales, hoje quase abandonadas, foram alfobres de gentes de rija têmpera, que no seu País ou espalhadas pelo Mundo, sofreram, lutaram e triunfaram, sem nunca esquecerem as suas origens e a ligação à terra que as viu nascer e crescer. 

Porém, que maior maldade se poderia fazer a estas gentes e às suas memórias que matar o seu rio; acabar com as águas límpidas e serenas em que se reviram e refrescaram nos quentes verões da sua meninice; expulsar ou extinguir os peixinhos que serviram de pretexto a uns belos copos com os amigos? 

As novas estradas, comodidades, conforto, nível de vida, educação, instrução, etc, etc… tudo não passará de nada, quando comparado com a morte da “sua ribeira”, o remanso dos seus moinhos, as sombras dos seus freixos, a lembrança de tempos difíceis, mas…felizes.

O nosso apelo é muito simples:

Não nascemos no Rochoso, mas somos de lá; não temos, por isso, receio de falta de legitimidade, pedimos às autoridades competentes que façam aquilo que há-de perpetuar a sua lembrança junto dos vindouros: realize, sr. Presidente da Câmara da Guarda, um milagre – salve o rio Noéme, ressuscitando-o.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O penedo da Lameira


Ainda o sol, vindo dos lados do Casalinho, depois de contornar o cabeço do Pião, não banhava o povoado, já o “príncipe” espreitava os primeiros raios, especado no alto da portela da Casinha, ali no cimo dos Brejos.

Um pouco mais atrás, o Ti’Luís Mestre – moleiro desde que se conhecia e dono de uma das azenhas do ribeiro da Louriceira – seguia o “fadista”, ajoujado sob a carga de taleigos de farinha, com passo lento e cadenciado.

A aldeia, estendida no sopé de um pequeno relevo – de que herdou o nome, impróprio, de Serra – tinha acordado, há muito. 

Eram sinais disso, o cantar dos galos, o ladrar dos cães e o barulho de um ou outro chocalho das cabeças de gado que já se dirigiam às hortas.


O moleiro, que visitava a aldeia todas as semanas, tinha os seus fregueses.

Até o “fadista” guiava o dono, parando junto às portas onde ia trocar o taleigo de farinha pelo saco de cereal, que levava para o moinho, trazendo a farinha, depois de moída e maquiada, na semana seguinte.


Naquele ritual, enquanto parava às portas, o “fadista” ia lançando a boca às verduras, ou outras coisas comestíveis que apanhasse à mão, o que muitas vezes lhe valia uma arrochada no lombo, não tanto como castigo, pelo abuso, mas como sinal de arranque para a próxima paragem.

O “príncipe”, que todo o caminho se entretivera a correr, a parar de repente, a ir ao dono, a fugir para fora do caminho, perseguindo as lagartixas que passavam ao seu alcance, sentava-se, sobre as patas traseiras, enquanto atendiam os fregueses.

Não se incomodava com a comida, pois, normalmente, não tinha fome. 

Os ratos, ratazanas e similares, que pululavam lá nas azenhas, chegavam e sobravam para lhe encher a barriga. 


Daí que os seus maiores inimigos fossem os gatos, que pintavam no terreno, à procura de “caça”.


O Ti’Luís Mestre, sexagenário baixote e atarracado, vestia, invariavelmente, calças de saragoça, camisa de flanela e um blusão, tipo jaqueta, justo na cintura.

Calçava botas de cabedal, ensebadas e cobria-se com uma boina escura e esbranquiçada pela farinha.

Até as sobrancelhas denunciavam a profissão do moleiro, que, raramente se separava da bengala com que acariciava o lombo do “fadista” e lhe servia de amparo e companhia, nas caminhadas.


A maquia dos taleigos chegava para lhe dar uma vidinha sem sobressaltos e para criar os quatro filhos que estavam em casa, com a mãe – a Ti’Luísa, uma santa.

A personalidade e o feitio do moleiro tinham-se adaptado ao ritmo da azenha; dormia, com o barulho das mós, acordava, com o silêncio das paragens.

Uma manhã, de fins de inverno, ao deitar o nariz fora do casebre, onde funcionava a azenha e onde tinha o catre em que, tal como seus antepassados, estendia os ossos, enquanto o engenho marchava, viu tudo branco – havia, nos campos, uma coisa que nunca vira –.

Imediatamente lhe veio à ideia que em tempos ouvira falar na neve, que cobre as terras altas e é formada por água gelada, que cai assim do céu.

Saiu do tugúrio, assobiou ao “príncipe”, que parecia louco, a correr de um lado para o outro e a meter o focinho na neve branca e fofinha.

Deu uns passos em redor do engenho.

A água do ribeirito continuava a correr e tudo marchava, em perfeita ordem e harmonia.


Nesse dia fazia a volta da Serra, pois era terça-feira e não era dia de Entrudo, nem de Natal – únicas excepções para essa viagem semanal –.

Ao chegar quase ao cimo do vale, junto ao penedo da Lameira, olhou para o cabeço do Loureiro, nos altos da encosta em frente e viu tudo branco.

Que delícia, o brilho do sol reflectido pela neve!...

Parou uns momentos e fez alto ao “fadista”, voltando-se para ele, como que a convidá-lo a admirar aquela paisagem, nunca antes vista e que, provavelmente, poucas vezes se repetiria.


Inopinadamente, um sobressalto agitou o burrito, que soprou, violentamente, pelas narinas.

Ali perto, o cãozito, andava num frenesim nada habitual – nunca se lhe vira tal agitação –.


Homem e animais estavam no centro de qualquer coisa; participavam em qualquer cena desconhecida a que a neve dava moldura especial e o espírito calmo e pachorrento do Ti’Luís Mestre não percebia.

Sentia que o burrito estava hirto e o cãozito todo eriçado, fixados na fresta do penedo.


Olhou, instintivamente, na mesma direcção, depois de, em milésimos de segundo, lembrar as moiras encantadas, as luzes referidas pelos mais alucinados com a zurrapa que bebiam na tasca do Sebastião e até imaginou a bandeira que, segundo a tradição, ali foi colocada, pelas tropas de Napoleão, marcando o centro de Portugal.

De repente, acordou, desceu à terra, agitou os pés, sobre a neve, e, junto dos seus companheiros, olhou... esfregou os olhos, para se certificar que não sonhava, e viu uma loba, maior que os maiores cães que já vira, saindo da fenda do penedo, abandonando o covil, acompanhada por três filhotes.

Dirigiu-se para o mato, sem denotar grande nervosismo, e desapareceu.


Estava feita luz na cabeça do Ti’Luís Mestre; não lhe falassem de barulhos de moiras encantadas, de luzes na escuridão, ou bailados e reuniões de bruxas...

No penedo havia sim um covil de lobos, cujos ruídos eram normais e que ao saírem, durante a noite, projectam a luz dos olhos para quem os vê.

Foi sem receio que continuou a passar no local, pois ao ser interpelado, o ti’Luís limitava-se a galhofar:


Tenho medo do “bicho homem”, que me pode fazer mal; dos outros, dos verdadeiros bichos, nunca tive medo, porque tenho a certeza que sempre me tratarão como eu os trato: nunca me farão mal.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Licença de isqueiro



Aqui, sobre estas palavras, está a imagem de uma das coisas caricatas antes do 25 de Abril: a licença para usar acendedores e isqueiros.

Lembro-me de tirar um, ou dois anos, a referida licença, pois ali pelos cafés Martinho, Paladium, Restauração, Gelo, Patinhas, e outros onde se jogava bilhar, tertuliava e estudava, era permitido fumar e, pululavam os fiscais que, escondidos atrás de um jornal, espreitavam quem acendesse o cigarro com um isqueiro para pedirem a licença de isqueiro, ou o pagamento de uma multa que era de 2$50 – vinte e cinco tostões, na linguagem dos anos sessenta -.

E não havia estudante que não gozasse com fiscais e polícias, quer acendendo fósforos com uma só mão, imitando isqueiro, quer resguardando-se para acender o cigarro, como que protegendo a chama de um isqueiro e ostensivamente desafiando a atenção de suspeitos fiscais e outros, que já eram conhecidos de outras andanças.

Depois o expediente de junto da multa fazer uma doação para o Socorro Social de 10 ou 20 centavos.

É que a operação burocrática de aceitação de doação consistia no preenchimento de vários papéis e recibos que o doador exigia da autoridade autuante.

Vistos agora, à distância de umas décadas, aqueles fiscais e informadores, facilmente detectados,
eram olhados com um misto de raiva, desprezo e revolta, não tanto pelo mal que causavam, mas pela imagem de agiotagem, servilismo e pobreza moral e intelectual que retratavam.

Funcionários que a troco de uns parcos escudos, sacrificavam o descanso e fora das horas de trabalho, espreitavam estas e outras pequenas hipóteses de ganhar uns tostões, ou de agradar a um chefe que lhes dava algumas benesses na função, ou no trabalho.

Um dia estávamos no átrio do velho cinema Odéon, no intervalo do cinema, fumando uma cigarrada.

O Américo, meu colega de pensão na R dos Douradores, puxou do isqueiro, acendeu o cigarro e, pouco depois, um desses fiscais, mostrou-lhe uma espécie de crachá e pediu-lhe a licença do isqueiro.

Como já tínhamos referido o sujeito e eu disse que se tratava do pai de um aluno da Escola onde era professor, o meu amigo voltou-se para mim e disse-me:

Oh! Senhor Professor, veja-me aqui, se faz favor, quem é este sujeito que me está a mostrar uma identificação qualquer e a pedir a licença de isqueiro.

É que, como o meu amigo sabe eu não sei ler e não tenho isqueiro.

Quando o homem encarou comigo, fez-se de mil cores, baixou os olhos e dirigindo-se a mim, pediu imensa desculpa, mas aquilo era a maneira dele ganhar a vida e que não levássemos a mal.

E, com o rabo entre as pernas, desapareceu, certamente para outras paragens, interpelando outros pagantes, para ganhar alguns cobres.

Infelizmente os filhos que frequentavam a escola, passavam fome.

Soube, mais tarde que o homenzito levava os apanhados a um polícia reformado que dividia com ele a percentagem do autuante nas multas que aplicava.

Recebia quatro tostões por cada captação que fazia para o polícia.

Sem comentário!…

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

História do sabão




O sabão não se encontra, espontaneamente, na Natureza; tem de ser fabricado, tal como o pão, o vinho, o queijo, ou o vidro, cujos processos de produção são extremamente simples e foram originados, geralmente, por fenómenos puramente acidentais.

As primeiras referências à produção de sabão são do historiador romano Plínio, o Velho (23-79 d.C.), mas estão documentados muitos factos pré-históricos, relacionados com sabão.

Na Babilónia, foram encontradas inscrições, datadas de 2.800 a.C., revelando fervura de gorduras de animais juntas com cinza. 


Porém a mistura seria usada como pomada para ferimentos, ou para penteados, pois ainda não se lhe conheciam as propriedades de limpeza.

No Egipto, o sabão não tinha lugar nos tão bem referenciados banhos de Cleópatra.

Já conhecido e preparado, continuava ligado ao tratamento de feridas e doenças da pele.

Na Grécia, o sabão estava, igualmente, fora dos hábitos de higiene.

Os gregos limpavam os corpos com blocos de barro, areia, pedra-pomes e cinzas. Depois, um instrumento de metal – o strigil – removia a sujidade, gordura e células mortas.

As provas definitivas da produção de sabão encontram-se na História de Roma.

De acordo com uma antiga lenda romana, o sabão tem origem no Monte Sapo, onde eram feitos sacrifícios de animais em pilhas crematórias.

Depois as chuvas arrastavam, para os barros das margens do Rio Tibre, onde as mulheres iam lavar a roupa, os restos de sebo misturados com cinzas.

Quando as lavadeiras descobriram que aquele barro lavava muito melhor, com menos esforço, descobriram, inadvertidamente, o sabão.

Porém, apesar da importância dos banhos públicos na sociedade romana, a utilização de sabão como agente de limpeza corporal não se encontrava disseminada.

Tal como os Gregos, os Romanos usavam o “strigil” para raspar a areia, óleos e cinzas com que cobriam o corpo. Completavam o “banho” com bálsamos de ervas.

Mais tarde os médicos romanos começaram a recomendar o sabão como benéfico para a pele e, nas ruínas de Pompeia foi encontrada uma fábrica de barras de sabão.

Durante muitos séculos o sabão teve avanços e retrocessos na higiene pessoal, mas acabou por ter larga utilização na lavagem de roupa.

Já no início do séc. XVIII avançou-se, definitivamente, com a produção de sabão a partir de derivados de azeite.

Nos EUA recebiam, no início do séc. XIX grandes quantidades de sabão ido da Europa.

Até que, em 1806, William Colgate abriu a primeira grande fábrica de sabão nos EUA, chamada Colgate & Company.

Em 1830, a empresa começou a vender barras de sabão de peso uniformizado e em 1872 Colgate introduziu os sabonetes perfumados.

Actualmente, com o avanço dos detergentes, os sabões pouca semelhança têm com o sabão fabricado através dos tempos.

Mas isso são outras “guerras”!...

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O criado Xavier




O biólogo descrevia assim a célula humana: é tão pequenina que só pode ser vista ao microscópio; mas é tão complexa, a sua actividade, que se pode comparar à da maior petroquímica do mundo, em plena laboração.

...E acabava a aula com uma recomendação, em ar de desabafo: aprendam o essencial, porque, felizmente, não teremos de estudar cada célula, em particular; pois, ainda que conseguíssemos estudar uma célula num minuto, não bastaria uma vida, nem as vidas duma geração, para estudar o corpo humano!

 

Recordo, com muita saudade, o dedicado e delicado professor.

Com ele aprendi muito mais que a complexidade das células e percebi que mais complicadas são as simples coisas do dia a dia, quando envolvem sentimentos e pessoas.


É que o professor ia muito para além do estudo das células ou da fisiologia dos músculos....

Gostava muito de contar episódios reais – como fazia questão de frisar – de pessoas inteiras.


Tinha um carinho contagioso e repassado de sentimentos de humanidade quando descrevia os gestos do... velho “criado Xavier” que viera da Índia, com os seus antepassados, ao olhar fixamente e imperturbável, o seu senhor, quando este lhe pedia o “whisky, com pouco gelo”.


Retirava-se, solene e silenciosamente e, já na copa, surgiam as dúvidas inerentes a qualquer honrado e educado criado que fazia questão em que nada contrariasse o seu senhor:


Será whisky da mesma marca da última garrafa? 


Quererá o senhor fazer a prova?

Levarei aperitivos?

Da última vez foi caviar!

Tenho anchovas abertas!

Parto lascas de presunto?...?...


Todavia, em menos de um minuto, o criado Xavier entrava com o whisky sobre a bandeja, que pedia licença para deixar sobre a mesa, e retirava-se, após o gesto de vago agradecimento com que o senhor professor o despedia, sem levantar os olhos do livro que continuava lendo.


E, invariavelmente à mesma hora, a cena repetia-se cada dia, rematava o professor Neves.