terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012

Dióspiro


                                                                                                                               

Há pouco tempo, ainda o velho diospireiro da Eira da Chã se mostrava bem vivo e recheado de frutos cor de laranja e sem quaisquer folhas. 

A árvore, em si, não tem qualquer importância, não passando de uma entre outras que já vão proliferando pelas redondezas. 

Porém, aí pelos anos cinquenta, há sessenta anos, portanto, foi a primeira vez que vi tal espécie e, não me constava que houvesse alguma outra na área de toda a aldeia. 

Com frutos tão coloridos, pendurados nos ramos, completamente despidos de folhas, numa altura do ano – finais de Outono – em que só restos de maçãs, laranjas e tangerinas se viam pela terra, eram motivo de romaria e objecto de admiração. 

Durante muitos anos limitei-me a comprar dióspiros; eram um dos frutos preferidos pela Irene – minha mulher – e qualquer boa frutaria da cidade exibia a espécie. Aliás diversas espécies, pois há mais que uma variedades, diferentes na cor e no sabor. 

Será por isso interessante saber um pouco mais sobre esta variedade de plantas, originárias da China e de cultura espalhada pelas Zonas Temperadas. 

Há três espécies de dióspiros (Lotus, virginiana e kaki). Esta última espécie engloba a maior parte das variedades produtoras de frutos. As outras duas espécies são mais usadas como cavalos de enxertia, ou porta-enxertos. 

Presumo que o diospireiro acima referido deve ser uma variedade da espécie kaki, porque tem folhagem caduca e frutos de um laranja escuro no estado de maturidade. 

Tem vida longa e resiste a temperaturas baixas, sendo sensível às geadas tardias na Primavera. É pouco amigo de ventos fortes e gosta de muita luminosidade. Dá-se bem em terras abertas e com bom escoamento de águas, terras fundas e bem estrumadas. 

Isto é quanto recordo dos cuidados que o Ti’Manel da Chã, que Deus haja, contava que lhe tinha dito o vendedor que lhe vendeu a planta, num mercado do Sardoal. 

Soube, depois, que o dióspiro é um fruto rico em taninos; por isso os frutos mal maduros são adstringentes e de sabor amargo. 

Há, porém, algumas variedades com teores baixos de taninos, geralmente com cores mais claras e consistência mais mole, designadas por variedades não-adstringentes. 

Como a maioria das frutas, o dióspiro é constituído principalmente por água (cerca de 83%). 

É relevante a sua riqueza em pro-vitamina A (caroteno), fibras solúveis (pectina) e potássio. 

Pertence ao grupo das frutas doces, daquelas que contêm elevado teor de hidratos de carbono de absorção rápida. 

São recomendados cuidados devido aos aportes energéticos e alterações de glicemia que pode provocar. 

Em contrapartida a fibra solúvel tem efeitos muito benéficos ao nível intestinal; o potássio é importante para o equilíbrio da tensão arterial e do tonus muscular, mas em casos de insuficiência renal não é recomendável. 

Devem ser preferidos, ao comprá-los, os frutos (dióspiros) que mantenham o pedúnculo e o cálice.

2 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns pela escolha; é a minha fruta preferida! Tenho uma árvore no Quintal, plantada por mim com muito amor, por isso os frutos são deliciosos.
Mas,quando era pequena, no Galisteu,pelos anos sessenta, só conhecia um vizinho que tinha uma árvore. Lembro-me de ter ficado muito admirada com o fruto.

José M Valente disse...

Obrigado, cara F..ó, por este seu comentário.
Espero e desejo que todos estejam bem e possam saborear
não só as boas frutas que ainda por aí se vão produzindo
como desfrutar dessa paz e sossego tão valiosas nos dias de hoje.

Beijinhos.

Um grande abraço para o EF

Do amigo

José Valente

PS.- Espero não me ter enganado na idntificação do "anónimo".