terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Os Yámanas


     
-Grupo indígena que habitou a Terra do Fogo, caracterizado pela baixa estatura (média 1,58m), tronco e braços bem desenvolvidos, mas pernas frágeis, feições pouco harmoniosas e musculatura digna de nota. Yámana significa homem.


Ocupavam os territórios do Chile e Argentina, a sul do Estreito de Magalhães, nomeadamente as costas da Terra do Fogo, da Península Brecknock até à Baía Slogett e desde o Beagle ao Cabo de Hornos. 

Eram canoeiros exímios e viviam de guanacos, lobos-do-mar, aves e peixes. Usavam arpões e, mais raramente, arcos e flechas. 

Vestiam pouco mais que uma cobertura do sexo e uma capa de couro, sobre os ombros e peito, curta e dura, geralmente de pele de lobo-marinho. Andavam descalços e viviam em cabanas cónicas, de troncos e ramos. 

Tinham uma linguagem sonora e rica em vogais. Foram-lhes referenciados, pelo menos, cinco dialetos. 

Eram nómadas que vagabundeavam pela zona envolvente do seu habitat natural, passando poucas semanas no mesmo local, dependendo a permanência da quantidade de alimentos disponíveis. 

Deslocavam-se em pequenos grupos, de duas ou três famílias e sempre para regiões próximas. Cada grupo indígena movimentava-se num perímetro limitado. 

Em 1884, num censo efectuado pelo inglês Thomas Bridges, foram referenciados cerca de mil Yámanas, estimando-se que em épocas anteriores chegasse a haver o triplo. 

A vida dos Yámanas desenvolvia-se nas costas e no mar; raramente penetravam em terra mais de uma, ou duas, centenas de metros. 

Os mares daquela região do Fogo são muito alterosos e inconstantes; as canoas dos Yámanas eram débeis construções de varas de madeira, revestidas de cascas, nas quais a água entrava abundantemente. 

Porém as costas alcantiladas e perigosas não eram alternativa para as deslocações e transporte de pertences. 

No centro de cada canoa, sobre um lastro de pedras e terra, ardia sempre um fogo. 

Era a mulher que cuidava dele e mantinha o equilíbrio da canoa enquanto o homem se mantinha na proa, preparado para caçar os lobos-marinhos e lontras que estivessem ao alcance do seu arpão. 

Competia também à mulher, amarrar as canoas na costa, capturar peixes e recolher mariscos e santolas. 

Não se pode falar de pesca, pois os processos eram primários. Desconhecendo redes e anzóis, as mulheres limitavam-se a apanhar à mão, sem mergulhar na água, os peixes que engoliam um isco preso a uma linha. 

Os mexilhões, lapas, ouriços-do-mar e santolas eram recolhidos na maré baixa, com auxílio de grandes forquilhas. 

Os homens caçavam e faziam cestos de quatro tipos, com junco entrelaçado. 

Preparavam também as pontas dos arpões e das lanças e com grandes pranchas de osso de baleia tiravam das árvores os materiais para fazer as canoas. 

Adornavam-se com colares e pinturas vermelhas, pretas e brancas; o casamento era instável e a poligamia natural. 

Foi um povo que não avançou muito pelo caminho do progresso material, mas foi um bom exemplo de adaptação ao meio hostil em que viveu. 

Não foi corrompido pelo álcool, como muitos outros povos, mas devido à falta de anticorpos, acabou dizimado pela tuberculose, sarampo e sífilis, havendo, em 1924, menos de cinquenta pessoas de etnia Yámana.

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